quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pentecostes: Festa da plenitude da Páscoa

Homilia realizada em 15 de maio de 2016 

Solenidade de pentecostes.








Link para download do áudio: Solenidade de Pentecostes

Trecho da homilia:


Se vocês prestam atenção na liturgia da Igreja... nós celebramos antes da Páscoa aquilo que a gente chama de Quaresma... Depois nós celebramos Pentecostes... A quaresma acontece em seis semanas, seis semanas de preparação para a Páscoa. Da Páscoa até Pentecostes... são sete semanas... Qual o significado disso? Seis é o número do homem, o homem foi criado no sexto dia... Sete é o número da plenitude... A quaresma é tempo da preparação do homem... É o tempo que o homem tem para abrir o seu coração, para rasgar seu coração... Este período da Páscoa... É o momento da vida em Deus. Por isso, sete semanas... A festa de Pentecostes é a festa dos cinquenta dias... sete vezes sete mais um... Sete é o número da perfeição... Sete vezes sete significa a grande plenitude... Pentecostes é a FESTA DA PLENITUDE DA PÁSCOA... Por isso mais um, é o selo do Espírito Santo...
Os apóstolos estavam reunidos... No mesmo lugar onde Jesus celebrou a Páscoa com seus discípulos... Lucas liga... duas festas que são inseparáveis... 

O que essa festa fala pra nós?...
Eu falei para vocês que ela recordava quando Moisés subiu o monte Sinai para receber as Tábuas da Lei... e segundo a tradição, essas tábuas foram escritas com o dedo de Deus... Meus irmãos, esta é a figura de Pentecostes. Em Pentecostes, a Igreja reunida recebe o Dom de Deus, a Força de Deus, a potência do Espírito Santo e o Espírito Santo desce verdadeiramente como fogo... Pentecostes é essa manifestação da Glória e do poder de Deus, que nos traz a verdadeira lei, escrita nos nossos corações...
A verdadeira aliança lava no sangue do Cordeiro... O fruto desta aliança é o mandamento do Senhor... é o Espírito Santo derramado em nossos corações, o Espírito Santo é o fruto da Páscoa. Cristo Ressuscitado alcança do Pai Eterno a remissão dos nossos pecados... [o] Espírito Santo... é fruto da redenção. Por isso nós dizemos que o Espírito Santo é fogo... É um fogo aceso pelo sacrifício da Cruz. O Espírito Santo que é Deus... é derramado no mundo pela ação do sacrifício de Cristo... Por isso que Jesus disse "é necessário que eu vá para que Ele venha", é necessário o meu sacrifício... a minha paixão e morte, para que o mundo possa receber este Dom de Deus... 
Ele dá o Espírito Santo primeiro como remissão dos pecados... Quando nós confessamos o padre vai dar a absolvição e diz: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados...” A potência do Espírito Santo é esse fogo que arde para consumir os meus pecados. Esse dia só tem fundamento se for remissão de pecados...

É muito belo nós olharmos Pentecostes hoje e ver o Espírito Santo que é fogo, que é vento, que é trovão... mas para isso o Espírito Santo primeiro purifica os pecados... converte a alma. Pentecostes acontece numa alma convertida... arrependida...quando o meu coração está rasgado... humilhado... é ali que Deus derrama seu Espírito... Nesse coração rasgado, pequeno e ultrajado, tem espaço para o Espírito de Deus... ali o Espírito Santo se derrama...reconstroi a alma... num coração que se esvazia de si mesmo... É isso que é Pentecostes...
O Espírito precisa ser derramado numa terra seca, mas sedenta de Deus... Que quando o Espírito Santo se derrama, aquela terra...possa absorver esta graça... a terra que o Espírito Santo vai renovar é o teu coração, tua alma, tua vida...

O Espírito Santo não é simplesmente sete dons, o Espírito Santo não é simplesmente amor, o Espírito Santo não é simplesmente o que Ele opera em nós. Nós precisamos conhecer o Espírito Santo pelo que Ele é: Terceira Pessoa da Santíssima Trindade Santificador, Vivificador. Ele que provém do Pai e do Filho pelo poder da Cruz e da ressurreição... Não há Pentecostes sem Cruz... A Igreja vive de Pentecostes... Porque a Igreja vive da renovação diária do Cordeiro de Deus que se imola no altar.


quarta-feira, 31 de maio de 2017

A força do silêncio frente à ditadura do ruído





Trechos retirados do livro: "La fuerza del silencio Frente a la dictadura del ruido" do Cardenal Robert Sarah 


"37 - Na Igreja, sem menosprezar o trabalho dos missionários e o mérito de seu sacrifício, monges e freiras representam a maior força espiritual. Os contemplativos são a principal força evangelizadora e missionária, o órgão mais importante e mais valioso que transmite a vida e mantém a energia essencial de todo o corpo. Deus escolhe as pessoas a que confia a missão de dedicar sua vida à oração, adoração, penitência, sofrimento e sacrifícios diários aceitos em nome de seus irmãos, para a glória de Deus, a fim de completar em sua carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, por amor do seu corpo que é a Igreja. Eles são seres de silêncio. Estão constantemente diante de Deus. Dia e noite eles cantam o louvor de seu nome, em nome da Igreja e da humanidade. Nós não ouvi-los, porque contemplam o Invisível e sustentam a obra de Deus.

57 - Não há nada menor, mais doce e mais silencioso do que Cristo presente na Hóstia. Esse pedaço de pão encarna a humildade e o silêncio perfeito de Deus, sua ternura e seu amor por nós. Se queremos crescer e ser preenchidos com o amor de Deus, temos de consolidar nossa vida sobre três realidades: a Cruz, a Hóstia e a Virgem - crux, hostia et virgo… São três mistérios que Deus tem dado ao mundo para edificar, fecundar e santificar nossa vida interior e nos conduzir a Jesus. Três mistérios que se devem contemplar em silêncio."





*tradução livre da versão em espanhol

terça-feira, 23 de maio de 2017

Importa Obedecer antes a Deus do que aos homens

Homilia realizada em 07 de Abril de 2016 

Importa Obedecer antes a Deus do que aos homens.






Link para download do áudio: Importa Obedecer antes a Deus


Leituras do dia:
Primeira Leitura At 5,27-33
Evangelho Jo 3,31-36


Pequeno trecho da homilia


"...Não há força do Espírito, não há poder do Espírito, não há ação do Espírito sem obediência... Aqueles que se dizem falar em nome de Deus... e não obedecem a sua Igreja, não obedecem a Pedro que fala em nome dos doze apóstolos, neles não age o poder do Espírito de Deus. E todo aquele que quer colocar o carisma, quer colocar o seu dom, colocar a sua experiência pessoal acima de Deus e da obediência às normas que Deus colocou, ali não sopra o Espírito de Deus. O Espírito de Deus só opera naqueles que obedecem. Sem obediência não há graça...

É o Espírito Santo que guia a Igreja e o Espírito Santo não se contradiz... O Espírito Santo não pode dizer "a partir de hoje isso é assim e antes o que foi feito era errado"...
Em dois mil anos o espírito de Deus conduziu a Igreja, até hoje... 
Cuidado com aqueles que dizem possuir o Espírito sem obedecer a Deus, aqueles que se dizem donos do Espírito... Mas não obedecem a Deus, o Espírito Santo não se contradiz... O Espírito Santo é verdadeiramente presente na história da Igreja e guiou a Igreja, guiou os santos, guiou os papas e guiou o Magistério da Igreja... pra que pudéssemos celebrar a nossa fé aqui como estamos celebrando, pra que pudéssemos celebrar a Eucaristia como estamos celebrando, porque foi o Espírito que guiou a Igreja. 


Na obediência dolorida de obedecer a Igreja, na obediência dolorida de renunciar a si mesmo... Este é o caminho do cristão, este é o caminho da Igreja, aceitar os caminhos do Senhor, aceitar o Espírito que conduz... Mas não conduz para onde eu quero, não sopra para onde eu quero, sopra para onde Ele quer."


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica

Homilia realizada em 01 de maio de 2016 

Igreja Católica e Apostólica




Padre Wendell nos fala, nesta homilia, sobre dois atributos da Igreja: CATÓLICA E APOSTÓLICA.

Leituras do dia:

Primeira Leitura At 15,1-2. 22-29
Segunda Leitura Ap 21,10-14. 22-23
Evangelho Jo 14,23-29

Trecho da segunda leitura:
10 Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino.12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel.13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente.
Pequeno trecho da homilia: "O que significa essas doze portas voltadas para cada região? Tendo um anjo, uma tribo de Israel e um apóstolo. Significa a catolicidade da Igreja. Essa cidade [a Cidade Santa] é universal, ela não pertence aos judeus... Esta Igreja pertencente à todos os povos, nações e línguas. Todos esses povos entrarão por estas portas... Toda humanidade entrará por essas portas. Viverá e se alimentará dessa presença do Cordeiro, que será tudo em todos. A IGREJA É PARA TODOS. É o que encontramos na primeira leitura de hoje. Quando alguns judeus disseram... 'A salvação virá pela circuncisão...' Paulo e Barnabé, voltam a Jerusalém, consultam os apóstolos e junto com eles e dizem: 'Não! A salvação vem de Nosso Senhor Jesus!... Porque decidimos, o Espírito Santo e nós!...' Esta realidade... é verdade de fé. O Espírito Santo auxilia a Igreja, é defensor da Igreja contra todo o mal... A Igreja tem a assistência do Espírito Santo... É por esta assistência do Espírito Santo que nós dizemos que ela é APOSTÓLICA, fundamentada nos doze apóstolos, não somente fundada pelos apóstolos há 2 mil anos atrás, mas ainda fundamentada nos apóstolos... A missão dos apóstolos continua...
É por isso que quando a Igreja fala. ela diz, 'o Espírito Santo e nós definimos que...' Foi o que a Igreja fez nesses dois mil anos. Se levantam tantas doutrinas e ela diz: o Espírito Santo e nós definimos que 'Jesus Cristo é verdadeiro Deus... o Espírito Santo é verdadeiro Deus... Maria nasceu concebida sem a mancha do pecado original', são verdades da fé que a Igreja usa essa mesma expressão... 'o Espírito Santo e nós definimos que'. Por isso a Igreja se apresenta ao mundo como: Una, Santa, Católica e Apostolica... essa é uma verdade de fé."




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Novena dos estudantes e concurseiros a São José de Cupertino




Novena a São José de Cupertino



Oração preparatória para todos os dias: 

Gloriosíssimo São José de Cupertino, protetor dos estudantes, não desprezeis as súplicas que  dirijo implorando vosso auxilio nas provas de meus estudos.
Alcançai-me do Senhor que, como verdadeira fonte de luz e sabedoria, dissipe as trevas de meu entendimento, o pecado e a ignorância, instruindo minha língua e difundindo em meus lábios a graça de sua benção.
Dai-me agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, e no momento do exame, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao continuar e perfeição ao acabar, se assim convém a maior glória de Deus e proveito de minha alma. Amém.







Meditar às máximas e rezar as jaculatórias do dia correspondente:

PRIMEIRO DIA
Máxima: "o que tem fé é Senhor do mundo."
Jaculatória: São José de Cupertino, espelho de fé, rogai por mim.

Segundo Dia
Máxima: "quem tem esperança em todo lugar, não faz pouco."
Jaculatória: São José de Cupertino, espelho de esperança, rogai por mim.

Terceiro Dia
Máxima: "Tudo se deve fazer para voltar propicio a misericórdia divina até o próximo."
Jaculatória: São José de Cupertino, fonte do caridade, rogai por mim.

Quarto Dia
Máxima: "Em qualquer tentação, não confieis nunca em vós mesmos; mas levantando o olhar ao crucifixo, apoiarás vos inteiramente no Salvador, e logo nada temeras, que Deus não deixara de ser vos fiel se vós permaneceis com Ele."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de humildade, rogai por mim.

QUINTO DIA
Máxima: "A obediência é o mais eficaz exorcismo contra o demônio."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de prudência, rogai por mim.

SEXTO DIA
Máxima: "quem tem paciência em todo lugar, não faz pouco."
Jaculatória: São José de Cupertino, modelo de paciência, rogai por mim.


SÉTIMO DIA
Máxima: "Os santos não se fazem no Paraíso, senão na terra, por onde é necessário padecer neste mundo para poder gozar do Paraíso."
Jaculatória: São José de Cupertino, exemplo de penitência, rogai por mim.

OITAVO DIA
Máxima: "Refúgio de pecadores, Mãe de Deus, recordai de mim."
Jaculatória: São José de Cupertino, tesouro de graça, rogai por mim.

NONO DIA
Máxima: "Sendo Vós criado para amar e servir a Deus, vos será pedida conta de se tem amado a vosso Criador."
Jaculatória: São José de Cupertino, fogueira de amor de Deus, rogai por mim.

Oração Final para todos os dias:

Deus, nosso Pai, hoje vos pedimos pela intercessão do vosso servo São José de Cupertino que envieis sobre nós o Espírito Santo e plenificai-nos com vossos dons celestiais:

Vinde Espírito Criador, a nossa alma visitai 
e enchei os corações com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor 
de Deus excelso dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai, 
por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, 
nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos a vossa paz, 
se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer 
que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.
Amém!

Rogai por nós, Bem-Aventurado São José de Cupertino, 
para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!

São José Cupertino, rogai por nós.
Espírito Santo, iluminai-nos.
Nossa Senhora, Imaculada Esposa do Espírito Santo, rogai por nós.
Sagrado Coração de Jesus, sede da Divina Sabedoria, iluminai-nos.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Hino para o Ano Santo (Jubileu) da Misericórdia em Português (vídeo, letra e partitura)





Hino Oficial do Ano da Misericórdia

Partitura órgão e coro:
http://www.cnbbsul1.org.br/wp-content/uploads/downloads/2015/12/Coro-e-orgão.pdf


Acordes cifrados:
http://www.cnbbsul1.org.br/wp-content/uploads/downloads/2015/12/Acordes-cifrados.pdf


Misericordes sicut Pater ( 4x)
Demos graças ao Pai, porque ele é bom – in aeternum misericordia eius 
Ele criou o mundo com sabedoria – in aeternum misericordia eius
Conduz seu povo na história – in aeternum misericordia eius
Perdoa e acolhe os seus filhos – in aeternum misericordia eius


Misericordes sicut Pater (4x)
Demos graças ao Filho, Luz das nações – in aeternum misericordia eis
Ele nos  amou com um coração de carne – in aeternum misericordia eius
Dele recebemos, a Ele nos doamos – in aeternum misericordia eius.
Abra-se o coração a quem tem fome e sede – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)
Peçamos ao Espírito os sete santos dons – in aeternum misericordia eius
Fonte de todo bem, dulcíssimo alívio – in aeternum misericordia eius
Por Ele confortados, ofereçamos conforto – in aeternum misericordia eius
O amor espera e tudo suporta – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)
Peçamos a paz ao Deus de toda paz – in aeternum misericordia eius
A terra espera o Evangelho do Reino – in aeternum misericordia eius
Graça e alegria a quem ama e perdoa – in aeternum misericordia eius
Serão novos os céus e a terra – in aeternum misericordia eius

Misericordes sicut Pater (4x)

Misericordes, Misericordes, Misericordes sicut Pater

Misericordes, Misericordes, Misericordes, Misericordes sicut Pater

Sicut Pater,

Misericordes, Misericordes sicut Pater.




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Os Padres da Igreja sobre o Espírito Santo (VII) - São Leão Magno (Século V)

O ESPÍRITO SANTO é o inspirador da fé, o Mestre da ciência, a fonte do amor,
 o selo da castidade, o artífice de toda virtude.




Todos os corações sabem, caríssimos, que a solenidade de hoje deve ser celebrada como uma das festas mais importantes. Ninguém ignora ou contesta a reverência com que se deve festejar este dia, consagrado pelo Espírito Santo com o milagre excelente de seu dom. Sendo, na verdade, o décimo dia depois daquele em que o Senhor subiu ao céu, para se assentar à direita de Deus, refulge como o dia qüinquagésimo após a sua Ressurreição, e traz em si grandes mistérios, referentes a antigos e novos sacramentos, na mais clara manifestação de que a Graça foi prenunciada pela Lei e a Lei cumprida pela Graça. Sim, do mesmo modo como outrora, no monte Sinai, a Lei fora dada ao povo hebreu, libertado dos egípcios, no dia qüinquagésimo após a imolação do cordeiro, assim também, após a Paixão de Cristo, imolação do verdadeiro Cordeiro de Deus, é no qüinquagésimo dia desde sua Ressurreição que se infunde o Espírito Santo nos apóstolos e na multidão dos fiéis. O cristão diligente facilmente vê como os inícios do Antigo Testamento serviram aos primórdios do Evangelho, e como a segunda Aliança foi criada pelo mesmo Espírito que instituiu a primeira.
Com efeito, diz a narrativa dos apóstolos:
“Como se completassem os dias de Pentecostes e estivessem todos os discípulos juntos no mesmo lugar, repentinamente se fez ouvir do céu um ruído como o de vento que soprava impetuosamente, e encheu toda a casa onde estavam. Apareceram-lhes então como línguas de fogo, que se puseram sobre cada um deles; e todos ficaram cheios do Espírito Santo, começando a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia falarem” [1].
É veloz a palavra da Sabedoria, e onde Deus é o Mestre quão rapidamente se aprende a doutrina! Não houve necessidade de interpretação para o entendimento, não houve aprendizado, não houve prazo para estudo, mas, assim que o Espírito da verdade soprou como quis, as línguas particulares dos diversos povos se tornaram comuns na boca da Igreja.
A partir desse dia ressoou a trombeta da pregação evangélica. A partir desse dia as chuvas de graças, os rios das bênçãos irrigaram todos os desertos e a terra inteira, pois a fim de renovar sua face “o Espírito de Deus pairava sobre as águas” [2]. E, para a expulsão das trevas de antes, coruscavam os relâmpagos da nova Luz no esplendor das línguas flamejantes. Assim se manifestava a luminosa e ígnea palavra do Senhor, dotada da eficácia de iluminar e da força de abrasar, necessárias ao entendimento e à destruição do pecado.
Porém, caríssimos, embora tenha sido admirável a própria aparência desses acontecimentos e não haja dúvida de que a majestade do Espírito Santo tenha estado presente à harmonia exultante das vozes humanas, não se pense que apareceu a sua divina essência naquilo que se mostrou aos olhes corporais. A natureza invisível e comum ao Pai e ao Filho manifestou a qualidade de seu dom e de sua obra por meio do sinal de santificação que bem lhe aprouve, mas conteve em sua divindade a propriedade de sua essência.
Assim como a visão humana não pode perceber o Pai e o Filho também não percebe o Espírito Santo. Na Trindade, com efeito, nada é dissemelhante, nada é desigual, e todas as coisas que se possam pensar a respeito dessa substância não se distinguem pela excelência, pela glória ou pela eternidade. É verdade que, conforme as propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas não há divindade diferente, natureza distinta. Assim como o Filho precede do Pai, igualmente o Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho. Não como as criaturas, que são também do Pai e do Filho, mas como alguém que, como ambos, vive, é poderoso e existe eternamente, desde que existem o Pai e o Filho. Por essa razão o Senhor, quando prometeu a vinda do Espírito Santo aos discípulos, antes do dia da Paixão, disse:
“Ainda muitas coisas vos tenho a dizer: quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá para toda a verdade. Pois não falará de si mesmo, mas falará o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que deverão suceder. Tudo o que o Pai tem é meu; per isto disse que receberá do que é meu e vos anunciará” [3].
O Pai, portanto não tem algo que não o tenham o Filho ou o Espírito Santo. Tudo o que tem o Pai, tem o Filho e tem o Espírito Santo. Nunca faltou na Trindade essa perfeita comunhão; nela são uma mesma coisa “tudo possuir” e “sempre existir”. Não imaginemos sucessão de tempo na Trindade, não imaginemos gradações ou diferenças. Se, de um lado não se pode explicar o que Deus é, de outro não se ouse afirmar o que Deus não é. Seria melhor deixar de discorrer sobre as propriedades da natureza inefável de Deus, do que afirmar o que não lhe convém. O que concebem, pois, os corações piedosos a respeito da glória eterna e imutável do Pai, entendam-no ao mesmo tempo do Filho e do Espírito Santo, de um modo inseparável e sem diferença. Nossa confissão é ser a Trindade um só Deus, já que nas três Pessoas não existe diversidade de substancia, poder, vontade ou operação.
Assim, se reprovamos os arianos, que pretendem existir diferença entre o Pai e o Filho, reprovamos igualmente os macedonianos, os quais, embora atribuindo igualdade entre o Pai e o Filho, pensam que o Espírito Santo seja de natureza inferior. Eles não vêem estarem incidindo naquela blasfêmia indigna de ser perdoada tanto no século presente como no futuro, consoante a palavra do Senhor:
“A todo o que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas ao que disser contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste século nem no vindouro” [4].
Quem permanece, portanto, nessa impiedade fica sem perdão, pois expulsou de si aquele por meio do qual seria capaz de confessar a verdadeira fé. Jamais se beneficiará do perdão quem não tiver advogado para protegê-lo.
Ora, é do Espírito Santo que procede em nós a invocação do Pai, dele são as lágrimas dos penitentes, dele os gemidos dos que suplicam, “… e ninguém pode dizer Senhor Jesus senão no Espírito Santo” [5].
O Apóstolo prega de maneira evidente a onipotência do Espírito, igual à do Pai e do Filho, bem como sua divindade, ao dizer:
“há diversidade de graças, mas um mesmo é o Espírito; e há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor; e há diversidade de operações, mas um mesmo é o Deus que opera tudo em todos” [6].
Por estes e outros documentos, através dos quais, de inumeráveis modos brilha a autoridade das palavras divinas, sejamos incitados, caríssimos, unanimemente, à veneração de Pentecostes, exultando em honra do Santo Espírito, por quem toda a Igreja é santificada e toda alma racional é penetrada. Ele é o inspirador da fé, o Mestre da ciência, a fonte do amor, o selo da castidade, o artífice de toda virtude.
Regozijem-se as mentes dos fiéis com o fato de, em todo o mundo, ser louvado pelas diferentes línguas o Deus uno, Pai, e Filho e Espírito Santo; com o fato de prosseguir em seu trabalho e dom aquela santificação que apareceu na chama do fogo. O mesmo Espírito da verdade faz refulgir com sua luz a morada de sua glória, nada querendo de tenebroso ou morno em seu templo.
Foi também por auxílio e instrução desse Espírito que recebemos a purificação do jejum e da esmola. Com efeito, segue-se ao venerável dia de hoje um costume de salutar observância, que os santos julgam de grande utilidade e nós vos exortamos, com pastoral solicitude, a que o celebreis com o maior zelo possível. Assim, se a negligência vos fez contrair em dias passados algo de pecaminoso, seja isto penitenciado pela censura do jejum e pelo devotamento da misericórdia. Jejuemos na quarta e na sexta-feira, para sábado celebrarmos juntos as vigílias, com a habitual devoção. Por Cristo, Nosso Senhor que vive e reina com o Pai e o Espírito santo, pelos séculos dos séculos. Amém
[1] At 2,1-4.
[2] Gn 1,2.
[3] Jo 16,12-13.15.
[4] Mt 12,32.
[5] lCor 12,3.
[6] lCor 12,4-6.

SÃO LEÃO MAGNO, Sermão sobre Pentecostes, in: GOMES, C. Folch Antologia dos Santos Padres. São Paulo- Ed. Paulinas 1979